Felicidade no trabalho

HomeLiderançaFelicidade no trabalho
Beautiful girl smiling in the grass

Felicidade no trabalho

Excelente matéria da Folha de São Paulo deste domingo, 05/09/2010.

Sucesso para todos!!!

Folha de São Paulo 05.09.10 - Silvia Zamboni/Folhapress

Empresas e funcionários se preocupam mais com a realização profissional

BRUNA BORGES
DE SÃO PAULO

As pessoas costumam passar mais horas no trabalho do que em outras atividades.
Como é importante que se sintam realizadas para produzir bem, as empresas já atentam para o nível de felicidade dos funcionários.
A Serasa Experian, especializada em indicadores e informações financeiras, lançou um índice de felicidade. A pesquisa requeria que cerca de 1.200 colaboradores dessem notas de um a dez ao quanto estavam felizes por trabalharem na empresa, em sua área e com seu líder.
As notas foram 8,16; 7,54 e 7,5, respectivamente. “Pessoas felizes produzem mais”, comenta Elcio Trajano, gerente-executivo de desenvolvimento humano.
A preocupação com a realização profissional cresce nas firmas. Mas especialistas alertam que um bom desempenho está mais ligado à identificação do empregado com os valores da empresa.

Benefícios sozinhos não asseguram felicidade

Sem reconhecimento profissional, ações não geram efeito duradouro

DE SÃO PAULO

Inspirado em uma multinacional, Diego Martins, 27, implantou “atrativos” em sua empresa de informática, a Acesso Digital.
Os funcionários trabalham por metas. Cumprem horários flexíveis, podem trabalhar de casa, têm acesso a comida, videogame e até cerveja (após as 21h). Quando as metas são atingidas, podem ganhar uma viagem internacional -no ano passado, eles foram para a Disney.
A estratégia parece funcionar com Rodolpho Matsumoto, 26, que atua na empresa há dois anos. “Não me adaptei a trabalhos de horários regrados. Não quero sair daqui”, diz Matsumoto. Ainda assim, Martins reconhece a importância de inovar. “Não podemos continuar repetindo sempre essas ações”.
Outras companhias dão aos funcionários mimos como doces e refrigerantes gratuitos e espaços de convivência confortáveis e atraentes.

SEM PLANO
Só que algumas delas investem em ambientes mais agradáveis sem planejar a gestão de pessoas.
Especialistas consultados pela Folha afirmam que um local de trabalho bonito e a oferta de benefícios ajudam, mas não trazem felicidade duradoura ao profissional.
“Pessoas infelizes não produzem, mas não é papel da empresa trazer felicidade. E não deveriam prometer isso. Devem oferecer clareza, transparência, processos justos”, sinaliza Clemente Nóbrega, consultor e autor do livro “Empresas de Sucesso – Pessoas Infelizes?”.
Investir em benefícios e em um ambiente menos repressor, com horários mais flexíveis e boas condições de trabalho, contribui para o desempenho. Mas a satisfação que resulta dessas ações não é perene, segundo Tania Casado, coordenadora de projetos de FIA (Fundação Instituto de Administração).
É preciso ter reconhecimento profissional para se realizar mais na carreira.
Rita Monte, 30, é formada em jornalismo e direito, mas optou por ser empresária de uma consultoria de desenvolvimento de pessoas. “Fiz escolhas que me fazem feliz.”

Movimento busca realização profissional

DE SÃO PAULO

A iniciativa de alcançar um ambiente profissional mais agradável também surge dos próprios empregados.
Há cerca de três anos foi fundado o movimento Novo Olhar Para As Relações de Trabalho, que hoje reúne cerca de mil pessoas.
Seus integrantes promovem encontros para trocar experiências e buscar sentido em suas profissões.
Segundo os organizadores do movimento, se as pessoas estão felizes no que fazem, tendem a trabalhar melhor, seja em grande corporações ou não. E elas sabem o que faz sentido em suas vidas.
Para divulgar as ideias do movimento, eles criaram uma rede virtual. A busca por realização profissional é comum a todos, mas nem sempre há possibilidade de custear uma consultoria ou um “coaching” (aconselhamento profissional).
As discussões da rede estão na internet em www.novoolhar.ning.com.
Um dos participantes, Felipe Arruda, 30, trabalhou em uma agência por dois anos até perceber sua insatisfação com a profissão.
Gradualmente, transferiu-se para a área de cultura. Hoje ajuda a desenvolver artistas pouco conhecidos.
“Colocar energia naquilo que tem sentido para você faz o trabalho ficar mais feliz. Demorei alguns anos para entender isso”, diz Arruda.

Bom desempenho não depende só de felicidade

Busca por superação e estresse positivo ajudam profissional a crescer

DE SÃO PAULO

A felicidade no trabalho ou fora dele é particular a cada um. Esse é o consenso entre psicólogos, gestores de recursos humanos e profissionais que buscam satisfação.
“As pessoas trabalham mais contentes se encontram sentido no que fazem”, aponta Roberto Heloani, psicólogo e professor da Fundação Getulio Vargas de São Paulo.
Mas mesmo pessoas infelizes podem apresentar bom desempenho. A felicidade é medida por meio de um complexo conjunto de fatores, e não é só o trabalho que interfere diretamente nela.
O meio familiar, a comunidade em que se mora, os anseios que a pessoa tem e a possibilidade de alcançá-los também contribuem para a possibilidade de satisfação, complementa Heloani.
No trabalho, é mais simples: as pessoas têm necessidades de superação de metas. Isso as impulsiona e as realiza profissionalmente, segundo Tania Casado, especialista em comportamento e pesquisadora da FIA.

PRESSÃO POSITIVA
Até o estresse tem seu papel na realização. Teóricos afirmam que há dois tipos de estresse. O patológico (“distress”), que desgasta, e o “eustress”, que ocorre quando há quantidade saudável de esforço para superar desafios e proporciona prazer com o trabalho.
“Esse tipo de esforço é fundamental para a constante busca do prazer profissional. Nenhum trabalho é totalmente feliz. A vida não é assim, e isso a deixa mais interessante”, opina Heloani.
Mas nem todos reagem positivamente a pressões profissionais mesmo em níveis aceitáveis, ressalta Jairo Borges-Andrade, presidente da Associação Brasileira de Psicologia Organizacional e do Trabalho. (BB)

“Trabalho feliz no domingo porque faço o que me realiza”

DE SÃO PAULO

Formado em ciência da computação, Henrique Vedana, 31, descobriu já na faculdade que não iria seguir uma carreira tradicional.
Trabalhou por seis meses em um banco na Holanda, o que o ajudou a perceber que não gostaria de atuar mais em multinacionais. “Queria criar processos úteis e estimulantes, e meu “coach” dizia: “se você quer crescer aqui dentro, deveria usar mais gravata'”. Impulsionado por trabalhos que o realizam, mesmo que paguem menos, abriu uma empresa e hoje é consultor e empreendedor.

VOCÊ ESTÁ REALIZADO
PROFISSIONALMENTE?

REFLITA SOBRE OS SEGUINTES ASPECTOS
Não sei bem o que é, mas algo está me incomodando O que me dá prazer e gosto de fazer?

De que de fato preciso?

Quais são meus potenciais essenciais?

Conheço de verdade meus talentos? O que me move e me inspira?

O principal beneficiário de meu trabalho sou eu? Será que é minha empresa ou minha família?

Eu sei exercer trabalho colaborativo? Afinal, preciso lidar com várias pessoas diariamente Sinto que contribuí com trabalhos importantes para o mundo? Quero contribuir realmente?

As pessoas com quem trabalho reconhecem meu esforço?

Os desafios de meu trabalho me preocupam mais do que me impulsionam a crescer?

PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO
O que é possível fazer agora para mudar os processos se percebi que algo me incomoda?

Que recursos tenho? Preciso de dinheiro?

Tenho apoio? Busco apoio ou faço tudo sozinho? O que preciso conseguir para fazer uma mudança?

INDIVIDUALIDADE
Cada pessoa tem um perfil específico de autorrealização. É um processo longo: as pessoas mudam a forma de ser feliz continuamente O que é satisfação para seus amigos ou colegas de trabalho pode não servir para você


Fontes: Rita Monte, coordenadora do Novo Olhar Para as Relações do Trabalho, e Roberto Heloani, psicólogo e professor da Fundação Getulio Vargas de São Paulo.
MOTIVAÇÃO
PROFISSIONAL DE RH NÃO VISA SATISFAÇÃO

Não confunda motivação e satisfação. O conceito de motivação está ligado à carência -se falta algo, exerce-se uma pressão para preencher a lacuna. Especialistas afirmam que o mercado investe em motivação sem considerar a procura por satisfação, que é o prazer de se realizar em uma profissão que está alinhada com seus valores.